Dia Nacional da Saúde no pós-pandemia

Ao apagar das luzes do ano de 2019, nascia uma nova variante de um vírus conhecido por poucos, mas que todos, num curto espaço de tempo, o conheceriam. Não apenas o seu nome, coronavírus, ficou conhecido, mas todas as suas variantes, mutações e danos que este microrganismo, que ameaçava globalmente a existência da raça humana, passaram a ser amplamente divulgado em todos meios de comunicação.


Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS), reconheceu que a COVID-19, doença causada por esta variante de coronavírus, se tornava uma moléstia pandêmica e ameaçadora para a saúde, em todos os seus níveis (físico, emocional, espiritual, social e financeiro) para todos os humanos habitantes do globo terrestre.

De forma semelhante às especulações dos asteroides que extirparam a vida dos dinossauros há milhões de anos, seria este o asteroide dos humanos? Isso perdurou até Maio de 2023, quando a mesma OMS decretou o fim da emergência da saúde global da pandemia.

Agora vive-se, efetivamente, o primeiro Dia Nacional da Saúde pós pandemia.


Apesar de ainda se ter o convívio da COVID-19, ela está num cenário distinto, no qual é mais bem compreendida e não se mostra tão letal como outrora. O que pensar da saúde daqui pra frente, então?

Dados científicos mostram que pela primeira vez, desde o final da Segunda Guerra Mundial, a expectativa de vida teve uma redução. Os Estados Unidos, por exemplo, segundo o seu órgão Controlador de Doenças e Prevenção (CDC), revelou uma diminuição na expectativa de vida dos americanos, reduzindo de 79 para 76 anos.

Nesta mesma linha, artigo publicado na revista científica Nature Human Behaviour, mostrou que os países europeus, de forma global, também tiveram redução na expectativa de vida da sua população.

Todos estes dilemas mudaram o que os seres humanos almejam como saúde e como qualidade de vida.

Percebeu-se que laços entre Economia e Saúde são mais fortes que se podia imaginar. Não apenas a saúde dos indivíduos merece atenção, mas a saúde econômica dos países, num mundo totalmente interligado, mereceu especial cuidado.

Foi necessária uma conciliação entre a força motriz da Economia, o trabalho e a produção, com os devidos cuidados com o isolamento social requerido pelos especialistas em saúde, para que ambos pudessem caminhar de maneira interligada a fim de promover o arrefecimento da curva ascendente de casos e de mortalidade pela COVID-19. Nunca foi tão discutido tanto sobre a economia local e a própria subsistência para não agravar também a saúde financeira dos indivíduos.

Afinal de contas, será que sair ileso da pandemia, mas não se possível prosseguir com a vida como ela é, faria algum sentido?

Além disso, os problemas de saúde de ordem física deram espaço cada vez mais para os problemas mentais. Os medos, os receios do desconhecido e o próprio isolamento social mostraram o quanto os seres humanos são seres sociáveis. Nunca foi sentida tanta saudade entre vizinhos, parentes, amigos, colegas de trabalho E também saúde de tarefas simples: passear com o cachorro, tomar o cafezinho da padaria ou o simples passeio na praça no final da tarde. Quem não se lembra das “lives de internet”
com cantores famosos mantendo apresentações em plataformas digitais. Não se pode esquecer as reportagens que mostravam pessoas em sacadas de prédios tocando instrumentos ou cantando para seus vizinhos?

A preocupação com saúde não se limita mais aos exames de imagem, como tomografia e ressonância, ou aos exames de sangue. O cuidado com a saúde mental é cada mais importante e necessário.

Não obstante, a forma do desenvolvimento científico também foi questionada. Será que efetivamente o estudo das moléstias, seus tratamentos e suas ameaças são analisados da forma mais apropriada e com devida a lisura e transparência que são requeridas? Sabidamente, a aplicabilidade do desenvolvimento do conhecimento humano sempre foi direcionada, inicialmente, à Medicina. Questiona-se não essa aplicabilidade, mas a forma como ele o conhecimento é desenvolvido. As pessoas hoje querem saber como a saúde é estudada e como são elaboradas as conclusões dos estudos das pesquisas científicas da saúde.

Por fim, questiona-se também a organização dos sistemas de saúde como um todo. A memória da época mais grave da COVID-19 no Brasil, em Março de 2021, quando mais de 4mil pessoas morriam diariamente, muitos casos concretos bateram as portas dos brasileiros. Pessoas próximas, (e cada um efetivamente tem um caso particular que vivenciou ou conhece), que procuravam auxilio tanto no sistema de saúde público, mas também no sistema de saúde suplementar, lutavam para terem acesso a avaliações, tratamentos e demais cuidados de saúde. Isso mostrou o tanto que os sistemas de saúde
e a raça humana é frágil!

Hoje, no pós-pandemia, lamenta-se as pessoas queridas que se foram, mas um novo conceito de saúde, no seu âmbito ainda mais global, nasceu. A definição de outrora de saúde da OMS, trazida desde 1946 precisou ser ampliada. Saúde é ter plena convicção que existe harmonia entre os aspectos físico, mental e emocional. Mas não apenas isso, ter segurança financeira e convicção que está sendo ofertado o melhor cuidado passaram a integrar este conceito mais amplo ser detentor de uma “boa saúde” e “ser saudável”.

Nesta nova fase que a raça humana vive, o pós COVID/19, o Dia Nacional de Saúde passa a ter um outro significado, que ainda se está por ser totalmente descoberto, mas que é bem mais amplo que se podia imaginar.

Marcos Vinicius da Silva França – Major Médico do CBMDF
Médico graduado pela Universidade de Brasília
Oncologista Clinico e Médico Auditor do CBMDF
MBA em Auditoria Médica
Mestre em Ciências da Saúde – Ulm University – Alemanha

Referencias:
Fórum Econômico Mundial. 10 COVID-19 lessons that will change the post-pandemic
future. Disponível em https://www.weforum.org/agenda/2022/01/ten-covid19-
lessons-from-the-pandemic-ipsos/

Ministério da Saude. O que significa ter saúde? Disponivel em
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-meexercitar/
noticias/2021/o-que-significa-ter-saude

New York Times. The aftermath of a pandemic require as much focus as the start.
Disponível em https://www.nytimes.com/2023/03/16/opinion/pandemic-recoveryprimary-
care.htm

NCHS Data Brief. Mortality in the United States, 2021. Disponivel em
https://www.cdc.gov/nchs/data/databriefs/db456.pdf
Scholey et al. Life expectancy changes since COVID-19. Nature Human
Behaviour volume 6, pages1649–1659 (2022)

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